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19/10/2016

Conexão Mente-Pele

Reconhecendo a conexão mente-pele

Algumas patologias da pele tem uma dimensão psicossocial que deve ser abordadas também.

Se você já ficou vermelho ao ficar envergonhado, você sabe que a pele pode refletir o que você está sentindo. Isso faz sentido, então, que problemas emocionais podem aparecer como problemas na pele. Apesar da causa e efeito serem difíceis de estabelecer, dados consideráveis sugerem que, pelo menos em algumas pessoas, o estresse e outros fatores psicológicos podem ativar ou piorar algumas condições da pele. A ligação entre pele e mente tem raízes profundas, indo desde a ligação pele-a-pele entre o recém-nascido e a mãe e além do escopo deste artigo. A comunicação através da pele é pensada por muitos ser central no desenvolvimento de sentimentos sobre si e o mundo. 

Poucos sabem que nossas emoções podem afetar nossa pele, e que a relação é bastante complexa.

O interesse nesta relação levou ao desenvolvimento de um campo chamado psicodermatologia ou medicina psicocutânea. De acordo com o especialista em psicologia e psicodermatologia Dr Ted A Grossbart do Boston's Beth Israel Deaconess Medical Center, pessoas que visitam médicos por uma patologia na pele frequentemente relatam um problema psicológico que pode afetar a forma que eles respondem ao tratamento.

Muitos problemas de pele aliviam ou melhoram com terapias padrão, que incluem antibióticos, anti-inflamatórios e medicações tópicas. O objetivo da psicodermatologia não é substituir psicoterapia pela medicina, mas sim reconhecer que questões emocionais podem estar envolvidas, especialmente quando um problema de pele resiste ao tratamento convencional. É importante avaliar e tratar um problema de pele medicamente antes de olhar os aspectos psicológicos. Mas, algumas vezes, uma medicação ou abordagem médica que não funciona por si só, pode tornar-se mais efetiva quando combinada com estratégias psicológicas.

A psicodermatologia não é uma especialidade médica estabelecida nos Estados Unidos, e há poucas clinicas com a “ligação” dermatologia-psiquiatria, embora o número tenha aumentado desde a primeira que foi estabelecida na Stanford University em 1972. Os especialistas tem buscado a evolução nos tratamentos que ajudam as pessoas a explorar e gerenciar os aspectos emocionais nos problemas de pele. Não surpreendente, técnicas como auto-hipnose e relaxamento são frequentemente parte da abordagem psicodermatológica.


A pele em que estamos

A pele é o maior órgão do corpo. É um envoltório protetor que defendo o corpo contra lesões e infecção e modula as influencias ambientais como a luz ultravioleta, calor e frio e a poluição do ar. Ela também está envolvida em uma gama de processos biológicos complexos.

O cérebro e o sistema nervoso influência as células imunes da pele através de vários receptores e mensageiros químicos como neuropeptídeos. Cientistas tem investigado que estas e outras substâncias na pele podem responder ao estresse. Já descobriram que alguns tipos de estresse podem interferir no sistema imune, afetando a capacidade da pele de se curar. Um estudo mostrou que pacientes operados que tiveram menos estresse no mês anterior à cirurgia tinham maiores níveis de IL-1 (um mediador químico imunológico que promove cicatrização), menos dores pós-operatórias e uma recuperação mais rápida. Pesquisas também sugerem que estresse crônico pode perturbar a função de barreira de permeabilidade da pele. Supõe-se que essa perturbação é o fator principal de muitas doenças da pele.

Tipos de conexão mente-pele

Problemas psicodermatológicos estão em três categorias amplas e as vezes sobrepostas:

Psicofisiológica: Estes problemas de pele tem uma base fisiológica mas podem ser exacerbadas pelo estresse ou outros fatores emocionais. Eles incluem, entre outros, acne, alopecia (queda de cabelo), vários tipos de eczema ou dermatites, herpes (oral e genital), hiperhidrose, coceira, psoríase, urticária e verrugas.  
Psiquiátrica secundária: Um problema de pele que cosmeticamente desfigura ou estigmatiza socialmente como acne grave, psoriase, vitiligo ou herpes genital podem produzir sentimentos de vergonha ou humilhação, acabar com a auto-estima, causar depressão e ansiedade, e em geral baixar a qualidade de vida. Há muitas evidências da correlação entre os problemas de pele e sintomas depressivos. Um estudo, por exemplo, mostrou que pacientes com psoríase grave e acne tinham duas vezes mais chance de cometer suicídio, porém é difícil distinguir a causa do efeito.
Psiquiátrica primária: Alguns problemas de pele são sintomas de um problema psiquiátrico como tricotilomania (arrancar cabelos), parasitose ilusória, que é a crença de que o corpo está infestado de organismos, dismorfismo corporal (preocupação com um problema muito pequeno ou até imaginário e, auto-flagelamento da pele. Estas doenças requerem psicoterapia e algumas vezes medicações psiquiátricas, porém um dermatologista, que pode ser o primeiro profissional que o paciente procura, deve estar atento ao quadro clinico.

Ajudando a mente ajuda a pele

Nem todos respondem emocionalmente através da pele, nem todos reagem da mesma forma tendo problemas de pele. Mas evidências sugerem que em algumas pessoas, questões psicológicas frequentemente cruzam com a fisiologia da pele, e tratando os dois podemos oferecer uma melhor chance de melhora.

Quando sentimentos que  ansiedade ou depressão estão presentes, medicamentos como antidepressivos podem ser recomendados. Muitas intervenções não farmacológicas incluindo técnicas corpo-mente, se mostram promissoras. Algumas abordagens tem efeitos que não são especifícas da doença mas em geral, reduzem estresse e ansiedade, melhorando o controle do paciente e aumentando a função imunológica. Os profissionais pode usar uma ou mais técnicas como por exemplo a microfisioterapia, hipnose, relaxamento e meditação e psicoterapia.

Selected Resources

Skin Deep: A Mind/Body program for healthy skin, by Ted A. Grossbart and Carl Sherman, Health Press, 1992.www.grossbart.com
Stress Management: Techniques for preventing and easing stress, Herbert Benson, Medical Editor, Harvard Health Publications, 2006.www.health.harvard.edu/SC