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12/07/2016

Uma única espécie de bactérias do intestino pode reverter o comportamento social relacionados com o autismo em ratos

Pesquisadores da Baylor College of Medicine, relataram na revista científica Cell (uma das mais importantes no mundo), que a ausência de uma espécie específica de bactérias do intestino provoca déficits sociais em camundongos. Ao adicionar esta espécie de bactérias de volta para os intestinos de ratos afetados, os pesquisadores foram capazes de reverter alguns dos seus déficits comportamentais, que são uma reminiscência de sintomas de distúrbios do espectro do autismo (DEAs) em seres humanos. Os pesquisadores estão agora a explorar os efeitos dos probióticos sobre as desordens do desenvolvimento neurológico.
Algumas pesquisas utilizam drogas e estimulações elétricas para reverter alguns sintomas comportamentais associados a perturbações do desenvolvimento neurológico, mas, por meio da regulação da microbiota intestinal seria uma maneira de afetar o cérebro da mesma forma que medicamentos e métodos tradicionais, de acordo com o autor princial da pesquisa o Dr. Mauro Costa-Mattioli. 

A inspiração para o trabalho surgiu a partir de estudos epidemiológicos que têm encontrado que a obesidade materna durante a gravidez pode aumentar o risco de desenvolver transtornos de neurodesenvolvimento, incluindo DEAs infantil. Além disso, alguns indivíduos com DEA também relatam problemas gastrointestinais recorrentes. Com uma pesquisa mostrando como a dieta pode alterar o microbioma intestinal e como as bactérias do intestino podem influenciar o cérebro emergente, Costa-Mattioli e seus co-autores suspeitam de que poderia haver uma ligação. 
Para saber quais bactérias seriam específicas estariam afetando o comportamento social dos ratos, os pesquisadores sequenciaram todo o genoma e descobriram que a bactéria Lactobacillus reuteri estava reduzida em mais de nove vezes na microbiota de ratinhos nascidos de mães expostas a dieta rica em gordura. Então os pesquisadores cultivaram uma estirpe de Lactobacillus (L.) reuteri originalmente isolada de leite humano e introduziram na água da prole da dieta rica em gordura. Viram que esta bactéria foi capaz de recuperar o comportamento social. Também, os autores descobriram que o L. reuteri promoveu a produção da oxitocina, que é conhecida por desempenhar um papel fundamental no comportamento social e tem sido associado ao autismo em seres humanos. 

Os pesquisadores encontraram também que, em resposta à interação social, houve uma falta de potenciação sináptica em uma área chave de recompensa no cérebro que pode ser visto nos ratos normais. "Quando colocamos as bactérias de volta na prole de dieta rica em gordura, pudemos restaurar as alterações na função sináptica no circuito de recompensa." Disse Costa-Mattioli.
Os investigadores acreditam que ao usar uma espécie de bactéria humana para promover níveis de oxitocina e melhorar os déficits comportamentais sociais em ratinhos deficientes, pode ser explorada como uma intervenção por meio de probióticos para o tratamento de distúrbios do desenvolvimento neural em seres humanos. 

Fonte: Cell Press, 2016